FILMES 05
legenda:
// = revisão; (+/XX) = nota subiu de XX na revisão; (-/XX) nota caiu de XX na revisão; cXX = curtas
cotação vai de 00 a 100
as atualizacões mais recentes estão lá embaixo
JANEIRO:
001 - Cabana do inferno [Cabin fever, Eli Roth. EUA, 02. Visto em DVD] 64
002 - Meu tio matou um cara [idem, Jorge Furtado. BRA, 04. Visto no cinema] 58
003 - /Encontros e desencontros/ -- 5x -- [Lost in translation, Sofia Coppola. EUA, 03. Visto em DVD] 94
004 - Perto demais [Closer, Mike Nichols. EUA, 04. Visto no cinema] 70
005 - /Perto demais/ -- 2x -- [Closer, Mike Nichols. EUA, 04. Visto no cinema] 67
Gosto de como os saltos temporais da narrativa instigam a imaginação do espectador -- nada é muito explícito, e muitas vezes o que é mais relevante à trama não está entre o material filmado, portanto há sempre essa brincadeira com o público que acho bem legal; caracteriza o que eu chamaria de cinema-de-sugestão. No entanto há tembém um interesse claro em se falar sobre relacionamentos amorosos e, por consequência, comportamentos humanos, que acaba por não funcionar muito bem devido ao fato dos personagens durante boa parte do tempo mais parecerem robôs de última geração programados para disparar frases de efeito por segundo do que, bem, seres humanos. Não fica natural, apesar do roteiro captar muito bem o comportamento de um estereótipo específico -- a classe média bem-sucedida vai adorar, ficar espantada por se identificar tanto, e, tenho certeza, discutir o filme com o casal de amigos no jantar após a sessão. E que fique claro que Natalie Portman merece todos os prêmios que vêm recebendo e mais alguns. A menina dá um show, virei fã.
007 - Eurotrip [idem, Jeff Schaffer. EUA, 04. Visto em DVD] 60
008 - Show de Vizinha [Girl next door, Luke Greenfield. EUA, 04. Visto em DVD. 46
FEVEREIRO:
009 - Entrando numa fria maior ainda [Meet the fockers, Jay Roach. EUA, 04. Visto no cinema.] 52
010 - Jogos mortais [Saw, James Wan. EUA, 04. Visto no cinema.] 66
O fato de todos os personagens serem estereótipos dos mais simplórios possíveis (o assassino de vida sofrida que quer mostrar ao mundo o quanto as pessoas são ingratas e deveriam agradecer a deus diariamente por ele ter sido tão gente boa e ter lhes dado uma vida tão linda e maravilhosa, o policial aposentado que pirou no último caso e não sossega enquanto não resolvê-lo, o marido que trai a esposa para depois de um contratempo-daqueles se arrepender e perceber o quanto sua família é perfeita, e por aí vai) prejudica bastante, uma vez que fica obviamente bem mais difícil comprar todo esse lance de "jogo psicológico" que o filme quer vender. Mas a situação em si já garante boas doses de tenção, e as complicações do roteiro -- apresentadas de modo meio truncado, mas vá lá --, assim como seu ponto de partida, são criativas o suficiente para prender sua atenção por uma hora e meia ou duas. É bem divertido.
011 - Em busca da terra do nunca [Finding neverlad, Marc Forster. EUA/Reino Unido, 04. Visto no cinema.] 47
012 - Sideways, entre uma e outras [Sideways, Alexander Payne. EUA, 04. Visto no cinema.] 59
Um filme como esse deve muito aos personagens, portanto é realmente uma pena perceber que todos eles, em Sideways, tem até (não muito, mas algum) potencial, no entanto vão simplesmente se desfazendo com o tempo. À excessão de Maya (bela interpretação de Virginia Madsen, por sinal), que é a única do qurtateto principal que permanece íntegra até o final do terceiro ato, lá pela metade do filme todo mundo que ainda não virou paródia de si mesmo está no caminho certo. Quem sou eu para dizer, mas acredito que seria um filme bem mais aproveitável (do jeito que está é um bacana exercício de suposição -- um ioiô da coca-cola pra quem advinhar pra que o vinho servirá de metáfora na próxima cena --, mas não muito mais do que isso) caso não houvesse o personagem de Thomas Haden Church para servir de copntraponto forçadíssimo e desnecessário a Paul Giamatti (também muito bem, obrigado) e acentuar as características de looser nato deste segundo -- porque é só pra isso mesmo, nem o lugar-comum do aprendizado entre os dois companheiros de viagem há (nesse caso porque um dos dois personagens é completamente nulo). Digo, já que a única relação que interessa é mesmo Giamatti-Madsen, seria interessante se Payne deixasse ela fluir naturalmente, sem nenhuma forçassão de barra do estilo "oh meu deus, eles estão gemendo no outro quarto e eu aqui conversando sobre vinhos!".
013 - Nota máxima [The perfect score, Brian Robbins. EUA, 04. Visto em DVD.] 53
Durante algum tempo, é até surpreendente que, numa trama que gira em torno de um grupo de alunos que decide roubar todas as respostas da prova equivalente ao vestibular no Brasil, o filme pareça realmente disposto a se posicionar do lado dos jovens e, como eles, não dar tanta importância assim ao exame. Simplificando e resumindo, eu fiquei feliz quando pensei na hipótese deste produto da mtv filmes não concordar com o fato de um punhado de respostas de múltipla-escolha ter de definir o futuro de alguém. Mas, infelizmente, é só durante um tempo. Aos poucos a máscara vai caindo (veja você, os pequenos ladrões entram no prédio onde estão as respostas que tanto procuram, mas elas estão dentro do computador, então eles farão o exame num fantástico trabalho de equipe e perceberão que, quando querem, são capazes!) e o filme arranja tempo até para sermão de mãe no maconheiro da turma. Mas tem Scarlett Johansson (a melhor atriz do mundo, do planeta, da gláxia...) de calcinha. Aluguem!
014 - Desventuras em série [Lemony snicket's a series of unfortunate events, de Brad Silberling. EUA, 04. Visto no cinema.] 56
Ainda que a estilização vez por outra soe meio exagerada, e Jim Carrey fazendo careta já não tem a mesma graça desde, seilá, "Ace Ventura 2", são esses dois fatores que garantem o interesse daqueles espectadores que, como eu, já não ficam encantados nem satisfeitos com um visual diferente-mas-tão-igual desses. E já que estamos falando num filme onde 3 crianças são protagonistas, tirando a bebêzinha, que deve conquistar todo mundo, bem podiam ter arranjado crianças com um pouco mais de carisma.
015 - Menina de ouro [Million dollar baby, de Clint Eastwood. EUA, 04. Visto no cinema.] 82
Não fosse por mais nada, Menina de ouro seria um filme incrível pelo simples fato de deixar claro (digo pra mim, lógico) o gênio que Clint Eastwood é. Antes de ser um filme sobre uma menina, antes mesmo de ser um filme sobre pessoas, é um filme sobre um homem. Frankie Dunn, personagem de Clint, é o coração de Million dollar baby. Ele é Eddie, o amigo que teoricamente não venceu na vida (seu presente, vazio e solitário); é Danger, o garoto que desiste do sonho impossível que só ele vê (por isso Frankie se incomoda tanto com ele, por ser uma faceta dele próprio); é Big Willie, o campeão que ele vê indo embora (sua juventude); e é o prório Eastwood, se você quiser. Cada peça de Menina de ouro faz parte e existe em prol de um todo. Clint não filma a velhice, mas o envelhecimento, o envelhecer. Seu cinema é simples, mas preciso, de uma força impressionante e cada vez mais seguro. E é cheio de camadas a serem descobertas, razão pela qual vou rever Menina de ouro. Porque com certeza (como se já não estivesse de bom tamanho) há mais a se perceber.
016 - Depois de horas [After hours, de Martin Scorsese. EUA, 83. Visto em DVD.] 79
017 - Igual a tudo na vida [Anything Else, de Woody Allen.EUA 04. Visto em DVD] 67
018 - O aviador [The aviator, de Martin Scorsese. EUA, 04. Visto no cinema.] 69-71
A partir de agora as notas poderão ser intervalos numéricos, exatamente desse jeito que está aí em cima (e ás vezes com um espaço até maior entre os extremos -- de 3, 4...ou até 5 unidades). Estou revolucionando a famigerada cotação 00-100 e ao mesmo tempo promovendo o humanismo pelo mundo através da internet (essa maneira de usar a cotação é algo bem mais humano, concordem). Não vou exigir o prêmio nobel, mas mereço pelo menos uma comunidade no orkut.
019 - Acossado [À bout de souffle, de Jean-Luc Godard. FRA, 59. Visto em VHS.] 86-88
020 - Uma mulher é uma mulher [Une femme est une femme, de Jean-Luc Godard. FRA, 61. Visto em VHS.] 90
O feminismo em cheque e o cinema. O feminismo e o cinema em cheque. O cinema em cheque e o feminismo. Pode ser qualquer coisa. É fantástico, absolutamente incrível como conseque falar de personagens, de cinema, de comportamentos de uma determinada época -- tudo ao mesmo tempo --, e soar extremamente relevante em todos os aspectos. Paródia e homenagem simultaneamente, inventivo (pode-se dizer que é até datado -- personagens em comunicação direta com o espectador já não é bem mais uma novidade atualmente --, mas sinceramente não sei se é válido desconsiderar a época e o contexto -- a desmistificação do espetáculo era uma barreira, até onde eu sei -- nesse caso específico). Em termos de imagem é absurdamente lindo e provavelmente o filme que mais brinca com a iluminação (e de maneira completamente genial, diga-se) que já vi. Enquanto comédia romântica que é faz-se leve e divertido ao mesmo tempo (estou repetindo a expressão "ao mesmo tempo" exaustivamente, mas acredito que seja sintomático) que subverte, ahn, provavlemente tudo que era regra ou padrão estabelecido. Terminar com um "...E ainda tem Anna Karina" é um clichê tão chato quanto (auto-) justificável quando fala-se de qualquer filme do Godard que tenha a presença da musa. Pois é.
021 - Alphaville [Alphaville, de Jean-Luc Godard. FRA, 65. Visto em VHS.] 87
Ver caixa de comentários (lá pelo número 30).
022 - O demônio das onze horas [Pierrot le fou, de Jean-Luc Godard. FRA, 65. Visto em VHS.] 92
Me sinto um ser humano mais completo.
MARÇO
023 - /A Vila/ (2x) [The Village, de M. Night. Shyamalan. EUA, 04. Revisto em DVD.] 79-81
De-novo-e-bom apenas o fato de que todas as cenas me pareceram muito mais bem cuidadas dessa vez (diálogo entre Bryce Dallas Howard e Joaquim Phoenix na varanda + perseguição na floresta = verdadeiros primores de posicionamento de câmera/atores e construção de um ambiente de tenção, respectivamente); trata-se de um filme muitíssimo bem filmado, e isso fica absolutamente claro até para leigos que não entendem nada disso feito eu. De-novo-e-ruim apenas uma certa preocupação, ao meu ver desnecessária, em se fechar algumas lacunas do roteiro, que acabam por resultar em uns elementos tapa-buraco grosseiramente forçados. Digo, se a intenção não é fazer um suspense coerente sobre monstros numa floresta, pra que explicar como nenhum avião passou pelo espaço aéreo da vila, pra que explicar que as autoridades eram subornadas, pra que explicar que um certo personagem que não aparece é milionário e por isso havia tanto dinheiro para os subornos, pra que explicar esse monte de coisas? Talvez pra manter a faceta de suspense coerente sobre monstros numa floresta, e isso não é ruim (acho sim que o filme também funcione dessa maneira), mas por alguma razão obscura eu preferia ver a coerência devidamente jogada para escanteio.
024 - Antes do Amanhacer [Before Sunrise, de Richard Linkalater. EUA, 95. Visto na TV.] pensando se há como registrar isso em números
A própria idéia do roteiro, em sua forma mais primitiva, desde o momento em que provavelmente passou pela cabeça de Linklater filmar dois desconhecidos vivendo uma noite inesquecível em Viena após se conhecer em um trem, já é sozinha algo amplamente sedutor. É um filme de fácil atração só pelo conceito, acho. Mas meu problema é justamente esse. Não sei se, uma vez a idéia tida, uma vez esse rastro de genialidade ter perpassado a mente produtiva de Linklater (ou de seu co-roteirista, que eu esqueci o nome, tanto faz), faz-se muito -- ou alguma coisa, sequer -- por ela. Sabe, eu não sei nada sobre essas coisas teóricas de cinema, espaço-fora-da-tela e afins, então o que ficou pra mim foi (e não sei se) apenas um filme bacana, inteiro de dois personagens bacanas, com diálogos ora apaixonantes de tão bacanas, ora simplesmente desinteressantes de tão intermináveis. Momentos que ora revertiam-se em um daqueles sorrisos bobos de gente apaixonada (e boba) em minha linda face -- e nessas horas eu queria defender o filme até a morte --, ora revertiam-se em momentos em que eu me pegava admirando um mosquito imóvel na parede branca da sala. E aí eu penso: mas ora, se não fosse assim, se não fosse instável, se não fosse desequilibrado-no-bom-sentido desse jeito, talvez não fosse genuíno, talvez fosse - antes de ser simplesmente o registro de duas pessoas interessantes andando e conversando (trocando confidências, experiências etc) -, o filme de dois personagens que são estrategicamente colocados em tal situação. E aí eu penso que isso faz toda a diferença, e aí eu penso que posso estar certo. E aí eu não sei.
025 - Constantine [idem, de Francis Lawrence. EUA, 05. Visto no cinema.] 48-51
Em suma, é nada mais que uma colagem descarada de outros filmes do gênero, um amontoado de clihês (espere até o final dos créditos e comprove: o garoto-coadjuvante-coitadinho-que-morre é o... anjo do protagonista! -- a título de curiosidade, a bicha que estava do meu lado e não parou de falar o filme inteiro, nesse momento soltou: "ai, ele virou anjo, que tudo!") que remete a tantas coisas (a mesma bicha ao final da sessão falou para o gordinho de língua presa que a acompanhava: "é uma mistura de Hellboy, com O Exorcista, com Matrix, com O Advogado do Diabo, com Van Helsing, com aquele outro filme de monstros né? A-do-rei!") e dá uma saudade não muito agradável de Coração Satânico. Keanu Reeves realmente lembra muito o velho Clint dos westerns e de Dirty Harry, a interpretação é divertidíssima e o personagem deve muito do interesse que cativa à ela. O começo também é promissor, mas tudo vai por água abaixo (como de praxe nesses filmes, aliás), quando há de se dar continuidade à uma trama bobinha toda a vida. Cochilei várias vezes.
026 - Antes do Pôr-do Sol [Before Sunset, de Richard Linklater. EUA, 04. Visto em DVD.] vou rever antes de dar qualquer nota...
...assim que parar de ouvir "A waltz for a night" na voz de Julie Delpy e arrumar tempo. Ou não. (É, já que resolvi encarar isso aqui realmente como um caderno para anotar impressões sejam elas quais forem, vamos lá.) Estive pensando agora - por mais ou menos uns dez segundos, na verdade é o que alguns chamariam de "surto de pensamento", e com razão - e me dei conta de que esse é um daqueles filmes que quase imploram por uma revisão (de tão agradáveis e encantadores que são) e ao mesmo tempo dão certa pena de rever, por deixarem lembranças tão boas (de tão agradáveis e encantadores que são). É um mergulho à um mundo paralelo (o de Celine, Jesse, e suas memórias) que de tão profundo faz o espectador (bah, eu) esquecer de seu próprio mundo particular e só não morrer afogado porque há um determinado momento em que a tela fica preta e nós vemos as palavras "directed by Richard Linklater". O perigo é que quando esse momento chegar vai ter gente clamando por um afogamento.
027 - /Antes do Amanhecer/ (2x) [Before Sunrise, de Richard Linklater. EUA, 95. Revisto em DVD.] 86
028 - O Casamento de Romeu e Julieta [idem, de Bruno Barreto. BRA, 05. Visto no cinema.] 47-50
029 - O Chamado 2 [Rind 2, de Hideo Nakata. EUA, 05. Visto no cinema.] 32
030 - /Antes do Pôr-do-Sol/ (2x) [Before Sunset, de Richard Linklater. EUA, 04. Revisto em DVD.] 86-90
031 - Reencarnação [Birth, Jonathan Gleezer. EUA, 05. Visto no cinema.] 58-62
ABRIL
032 - Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa [Miss Congeniality 2: Armed and Fabulous, de John Pasquin. EUA, 05. Visto no cinema] N/A
033 - Be Cool, O Outro Nome do Jogo [Be Cool, de F. Gary Gray. EUA, 05. Visto no cinema] 43
034 - A Família da Noiva [Guess Who, de Kevin Rodney Sullivan. EUA, 05. Visto no cinema] 44
(Parêntese) *Eu juro que queria ver mais filmes, mas tá difícil...
035 - De Olhos Bem Fechados [Eyes Wide Shut, de Stanley Kubrick. EUA, 99. Visto no Vivo Open Air]
(Parêntese) *O Vivo Open Air pode até ser um jeito muito bacana de ir ao cinema, mas exige do espectador um poder de concentração no mínimo razoável. A impressão que tive é que o evento reúne dois (ou até mais, tem de coroa intelectual à bandos variados de adolescentes) públicos completamente distintos em ambientes muito próximos. Resultado: ou quem estava vendo filme escutava um ti-ti-ti pouco agradável ecoando como música de fundo (quando todo o pessoal que esperava a Festa Nu Breaks - uma decepção só, por sinal - resolvia falar ao mesmo tempo), ou quem estava lá fora esperando a festa escutava os diálogos do filme (quando esse pessoal resolvia aquietar-se por um momento, pois). E, claro, o fato do filme sendo exibido ser "De olhos bem fechados" agrava um pouco a situação. Mas enfim, a lógica toda do troço é adorável, e assistir a um filme com o cristo redentor e uma lua cheia caprichada ao fundo é coisa pra não esquecer tão cedo.
036 - Os Sonhadores [The Dreamers, de Bernardo Bertolucci. ITA/FRA/ING, 03. Visto em DVD.] 61
Não é um filme que acrescente muito (ou alguma coisa) ao cinema de Bertolucci, acredito eu (mesmo tendo visto poucos filmes do sujeito). E nem acho que essa evolução gradativa seja algo a ser cobrado na carreira de qualquer cineasta, mas fica um pouco chato, aqui, perceber que as coisas mais interessantes já tenham sido registradas pelo diretor algumas décadas atrás. Pegue como exemplo a leveza e naturalidade das cenas de sexo, que remetem a... O Último Tango em Paris é o exemplo mais óbvio, e "que legal, que legal", mas há, até aí, um certo exagero (derivado da repetição, talvez?). A cena da banheira é, se trocado "dor" por "nojo", praticamente sádica. O filme é um retrato de uma geração desprovido de crenças/idéias pré-determinadas, o que é bacana (e até surpreendente), mas acaba também prejudicado pela atuação do trio principal, realmente a se lamentrar. Não falo nada sobre as referências cinematográficas porque elas são óbvias e eu gosto de referências óbvias.
MAIO:
037 - Shattered Glass: O Preço de uma Verdade [Shattered Glass, de Billy Ray. EUA, 03. Visto em DVD.] 60
038 - A Intérprete [The Interpreter, de Sidney Pollack. EUA, 05. Visto no cinema.] 54
039 - Edifício Master [idem, de Eduardo Coutinho. BRA, 02. Visto em DVD.] 87
040 - Cruzada [Kingdom of Heaven, de Ridley Scott. EUA, 05. Visto no cinema.] 39
041 - Ninguém Pode Saber [Dare mo shinarai, de Hirokazu Koreeda. JAP, 04. Visto em DivX.] 80
posted by Guga 5:52 AM
042 - Oldboy [idem, de Chanwook Park. COR, 03. Visto no cinema.] 78
Transita com uma desenvoltura elogiável entre o pop que estiliza a violência, que bota a imagem acima de tudo - à Kill Bill - e o trágico que se dispõem a dar (bastante) importância ao drama dos personagens - à, hum, Oldboy. E aí podem dizer que nesse meio termo o filme acabe por não levar às últimas conseqüências nenhum dos aspectos (e de fato vez por outra é meio capenga aqui e ali - repare a explicação passo a passo da trama contida no clímax, por exemplo), mas sinceramente não vejo por que essa obrigação em optar por "um dos lados", e não simplesmente pelos dois lados, como acredito que seja justamente a proposta aqui. E é uma proeza, pelo menos dentro da minha cabecinha oca, mostrar um personagem arrancando os dentes de outro com um martelo (e arrancar daí uma cena de grande impacto não só pela questão gráfica da coisa, mas por todo o contexto em que ela está envolvida) e na cena seguinte fazer de um momento de humor o personagem dos dentes arrancados entregar um cartão de dentista ao que arrancou. Acho que isso ilustra muito bem o que o Chanwook Park pretende E realiza. Enfim, ao mesmo tempo que inspira reflexões acerca de ódio e amor (vejo, antes de mais nada, um filme sobre esses dois sentimentos), impressiona pelas escolhas estéticas. Tá longe, bem longe de ser um Kill Bill-B.
043 - Desafio no Bronx [A Bronx Tale, de Robert DeNiro. EUA, 93. Visto na TV.] 72
044 - Visões [Jian gui 2, de Oxide Pang Chun e Danny Pang. TAI/HK, 04. Visto no cinema.] 26
045 - Melinda & Melinda [idem, de Woody Allen. EUA, 04. Visto no cinema.] 67
A idéia de tirar de uma mesma premissa o que seria da história se contada por alguém que enxerga a vida com os olhos da comédia e o que seria da mesma se contada por alguém que enxerga a vida com os olhos da tragédia é boa, e é ótimo perceber, já de saída, que as duas vertentes jamais são reduzidas a "lado do pessimismo" e "lado do otimismo". Allen parece encarar a coisa toda como algo bem menos simplista do que isso e faz questão que o espectador também o faça. Ainda que certos elementos sejam encaixados de forma pouco sutil em suas respectivas narrativas (um "tentei o suicídio" na trágica, uma porta se fechando em parte do roupão do personagem, fazendo-o ficar preso, na cômica) e prejudiquem a interação dos gêneros, por assim dizer, há os momentos onde eles se misturam, e acabam por se confundir - e isso é muito bom. Allen lida bem com o contar paralelo das histórias e traz uma fluidez bastante bem-vinda ao filme. Apesar de parecer envolvido demais com a idéia em si para trabalhar melhor personagens e trama (e acho mesmo que isso seja um problema, a impressão é de que, como a idéia nasceu primeiro, muita coisa está ali apenas para preencher um espaço vazio), tem-se em Will Ferrel o melhor alter-ego Allen que já vi e vários, vários diálogos muito bons. Discute-se a importância (ou mesmo a necessidade...) dos intelectuais na mesa de bar, para alguns explicando o que se vê didaticamente (o que não é nenhum absurdo a ser dito), mas por alguma razão o que eu vejo é o próprio Allen comentando seu filme, suas escolhas, etc. Um discurso que pode até ser óbvio, mas que é também repleto de carinho e vindo de alguém que realmente se interessa pelo que fala. Nada mal pra quem já vai aí pelo trigésimo sétimo filme.
JUNHO:
046 - A Vida Marinha com Steve Zissou [The Life Aquatic with Steve Zissou, de Wes Anderson. EUA, 04. Visto no cinema.] 78
047 - Casa de Cera [House of Wax, de Jaume Collet-Serra. EUA, 05. Visto no cinema.] 41
048 - O Guia do Mochileiro das Galáxias [The Hitchhicker´s Guide to the Galaxy, de Garth Jennings. EUA, 05. Visto no cinema.] 65
049 - Brown Bunny [idem, de Vincent Gallo. EUA, 03. Visto no cinema.] 80
050 - Sr. e Sra. Smith [Mr. and Mrs. Smith, de Doug Liman. EUA, 05. Visto no cinema. ] 50
051 - Huckabees - A Vida é uma Comédia [I ♥ Huckabees, de David O. Russel. EUA, 04. Visto em DivX.] 67
Embora traga claras influências e lembre um tipo de cinema que já é feito hoje (às vezes parece Wes Anderson, às vezes parece Spike Jonze/Charlie Kaufman - e no final talvez seja o meio do caminho entre os dois), é um filme que quer ser incomum e acaba conseguindo, por um motivo ou por outro. Impressiona pela quantidade de idéias disparadas por minuto, pela impressão de bagunça total que passa, pela quantidade de gente em cena (devem ser uns 4 núcleos de personagens interagindo, sem exagero), por não fazer grande questão de definir-se como qualquer coisa. É em verdade uma grande confusão, e o espectador desavisado provavelmente fica sem saber de que maneira se comportar - não sabe se leva a sério as questões existencialistas levantadas pelo filme ou se ri de uma suposta sátira. No começo causa estranheza, mas habitua-se ao clima de quase non-sense que é impresso, e é fácil tanto rir quanto refletir. Volta e meia faz-se os dois, inclusive, numa mesma cena - a ilustração da teoria de que tudo no universo está interligado, com a manta, exemplifica bem isso. É um sem-número de idéias e pretensões, jogadas no liquidificador e trituradas para caber dentro de um só filme. Talvez falte um elo mais firme entre elas, mas a confusão que acaba sendo criada, dessa maneira, não é de todo ruim.
052 - Batman Begins [idem, de Christopher Nolan. EUA, 05. Visto no cinema.] 61
053 - /Cães de Aluguel/ [Reservoir Dogs, de Quentin Tarantino. EUA, 92. Revisto em DVD.] 86
054 - /Kill Bill, Vol. 1/ [idem, de Quentin Tarantino. EUA, 04. Revisto em DVD.] 93
055 - Edukators [idem, de Hans Weingartner. ALE, 04. Visto em DVD.] 39
Porque eu sou um jovem a favor do sistema (e do bom cinema).
056 - /Kill Bill, Vol. 2/ [idem, de Quentin Tarantino. EUA, 04. Revisto em DVD.] 89 (-/91)
057 - Valentín [idem, de Alejandro Agresti. ARG, 02. Visto em DVD.] 72
058 - Maria Cheia de Graça [Maria Full of Grace, de Joshua Marston. EUA/COL, 04. Visto em DivX.] 59
059 - /Uma Saída de Mestre/ [The Italian Job, de F. Gary Gray. EUA, 03. Revisto na TV.] 71
060 - /Eleição/ [Election, de Alexander Payne. EUA, 99. Revisto na TV.] N/A
JULHO:
061 - Guerra dos Mundos [War of the Worlds, de Steven Spielberg. EUA, 05. Visto no cinema.] 77
A melhor coisa de Guerra dos Mundos, ou pelo menos a que mais chama atenção a mim (me fascina, até, de certa maneira) é o quão difícil é encará-lo apenas como um blockbuster do verão americano sobre alienígenas invadindo o planeta Terra. É um filme tão coerente na carreira de Spielberg (há ligações com Contatos Imediatos, de 77, e elas não terminam na presença de Ets e naves espaciais coloridas), que me parece tão necessário - na própria visão do cineasta, antes de tudo - que, não fosse por mais nada, é uma delícia de acompanhar só para saber o que há para ser dito agora. Quanto aos Estados Unidos, quanto à família, quanto à forma de filmar o terror. De início, acho que não cabe aqui apontar se é conservador ou liberal, pessimista ou otimista, ou qualquer coisa que o valha. Spielberg é um diretor tão sem pátria (vide O Terminal) quanto sem pai (vide Prenda-me se for capaz, só para ficar em dois exemplos próximos) para reduzirmos e simplificarmos dessa maneira qualquer comentário que ele tenha a fazer sobre mundo, América ou família. Não se trata de mera transformação de papai-que-não-estava-aqui para papai-que-está-aqui, é preciso perceber que a figura paterna volta ao cinema de Spielberg três décadas depois que saiu, em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, e só o faz em meio ao caos total, à radicalidade extrema de uma guerra de mundos. O Pai encontra um lugar nos filmes do diretor ao mesmo tempo em que os alienígenas definitivamente não são as mesmas criaturas amigáveis que eram no passado (em E.T, Inteligência Artificial), e o terror filme-pipoca de um Jurassic Park, por exemplo, virou o horror extremamente realista de centenas de corpos boiando no rio, de gente desesperada para se manter vivo. É um terror mais humano e ao mesmo tempo muito mais desesperador. A câmera está sempre com os personagens, o espectador vê exatamente aquilo que eles vêem - de certa maneira, é como se fizéssemos parte da tragédia toda e, por isso, ficamos presos à toda angústia criada. Até o dito "final feliz" é muito cru pra mim, não vejo mesmo dessa forma que as pessoas andam alardeando por aí (como se a menininha ganhasseum bichinho de pelúcia da Hello Kitty e o personagem do Tom Cruise uma medalha de honra ao mérito).
062 - Um Filme Falado [idem, de Manoel de Oliveira. POR/FRA/ITA, 03. Visto em DivX.] 84
063 - O Clã das Adagas Voadoras [Shi mian mai fu , de Zhang Yimou. China, 04. Visto em DivX.] 49
064 - Herói [Ying Xiong, de Zhang Yimou. China, 02. Visto em DivX.] 52
065 - Em Boa Companhia [In Good Company. EUA, 05. Visto no cinema.] 68
Ainda que o final soe talvez um tanto "americano" demais (odeio ter de caracterizar assim, mas não vejo melhor hipótese nesse caso), esse não é um grande problema quando todo o lado político - que poderia descambar para uma denúncia barata da cultura corporativista americana - é apenas mais uma das subtramas da narrativa. Na verdade, é como se fosse criado um mundo inteiro em volta do que é de interesse apenas para que o que é de interesse pudesse existir - muita gente vai dizer que o romance não é desenvolvido e coisas do tipo, mas ele simplesmente não faz parte do que Paul Weitz pretende. E o que ele pretende me agrada. afinal, é bom ver um filme onde os personagens - e, assim, o ser humano como um todo - são colocados acima de todo um conceito pré-estabelecido sobre a construção de um futuro, de uma carreira, de uma vida. E, no mais, há Scarlett Johansson.
066 - A Fantástica Fábrica de Chocolate [Charlie and the Chocolate Factory, de Tim Burton. EUA, 05. Visto no cinema.] 73
067 - De Repente é Amor [A Lot Like Love, de Nigel Cole. EUA, 05. Visto no cinema.] 40
068 - Sin City - A Cidade do Pecado [Frank Miller´s Sin City, de Robert Rodriguez. EUA, 05. Visto no cinema.] 60
069 - Kung-Fusão [Gong Fu, de Stephen Chow. China/Hong Kong, 04. Visto no cinema.] 47
070 - A Ilha [The Island, de Michael Bay. EUA, 05. Visto no cinema.] 34
É engraçado como o que Michael Bay parece julgar como surtos de substância dentro da massaroca de automóveis-explodindo-e-janelas-de-arranha-céus-se-quebrando que é o todo, invariavelmente aparecem sob holofotes e cartazes gritando "EU ESTOU AQUI!". Sério, é engraçado mesmo. Esses momentos são tratados como um evento à parte, dentro da lógica Bay de filmar - muda trilha (reparar no diálogo revelador entre Steve Buscemi, Scarlett e Ewan McGregor), muda câmera (reparar na cena final, que fica especialmente engraçada quando você pensa que se trata de um plano do qual Bay deve se orgulhar bastante), mobiliza-se o filme inteiro em prol daquele momento. A impressão é de que o diretor realmente queria fazer um filme que fosse além de automóveis-explodindo-e-janelas-de-arranha-céus se quebrando, mas tudo que conseguiu foi provocar no espectador aquela sensação meio deprimente de quando se houve alguém falar algo absolutamente idiota como se fosse o equivalente atual à descoberta da pólvora.
AGOSTO:
071 - /A Menina Santa/ [La Niña Santa, de Lucrecia Martel. ARG, 04. Visto no cinema] 69 (2x; +/61)
072 - /Antes do Amanhacer/ [Before Sunrise, de Richard Linklater. EUA, 06. Visto em DVD.] 86 (3x)
073 - A Sogra [Monster-In-Law, de Robert Luketic. EUA, 05. Visto no cinema.] N/A
Dormi, feito um anjinho - em duas poltronas e um colo, como se estivesse em casa - a maior parte do tempo.
074 - Água Negra [Dark Water, de Walter Salles. EUA, 05. Visto no cinema.] 50
075 - 2 Filhos de Franscisco [idem, de Breno Silveira. BRA, 05. Visto no cinema.] 54
076 - Horror em Amtyville [The Amtyville Horror, de Adnrew Douglas. EUA, 05. Visto no cinema.] 48
077 - Hotel Ruanda [Hotel Rwanda, de Terry George. EUA, 04. Visto no cinema.] 50
078 - /2 Filhos de Franscisco/ [idem, de Breno Silveira. BRA, 05. Visto no cinema.] 61 (2x; +/54)
É óbvio que há concessões a serem feitas, e é óbvio que há a obrigação às vezes meio chata de se "contar uma história" e fazer algo que atinja a diversos tipos de público de uma vez só - o que não é necessariamente ruim, mas nesse caso traz a necessidade de inserir-se uma série de fatores que acabam sendo jogados sem muito cuidado no meio de tudo (o romance de Zezé com Zilú e o acidente do menino são exemplos bem claros disso). No entanto, enquanto filme de agradecimento De: Zezé DiCarmargo & Luciano Para: Seu Franscisco é bastante sincero e honesto o tempo todo, e em alguns momentos até tocante (sim!). O primeiro ato, composto quase que exclusivamente de seqüências em que apenas Ângelo Antônio e os dois meninos contracenam, é especialmente muito bom. Nota-se que há um propósito por trás de tudo, e se só isso já é elogiável (seria o mínimo, mas em tempos de "Olga" e "Cazuza - O Tempo Não Pára"...), é melhor ainda perceber que se trata de algo muito bonito. O filme é um manifesto de gratidão, e isso fica lindamente estampado naquela cena meio brega em que Zezé e Luciano voltam à casinha onde passaram a infância.
SETEMBRO:
079 - Kinsey - Vamos Falar de Sexo [Kinsey, de Bill Condon (e nem o alves fez esse trocadilho!). EUA, 04. Visto em DVD.] 57
080 - Penetras Bons de Bico [Wedding Crashers, de David Dobkin. EUA, 05. Visto no cinema.] 59-61
081 - Amor em Jogo [Fever Pitch, de Peter Farrely & Bobby Farrely. EUA, 05. Visto no cinema.] 81
>> INÍCIO FESTIVAL DO RIO <<
082 - Batalha no Céu [Batalla en el ciello, de Carlos Reygadas. MEX, 05. Visto no Festival do Rio.] 5.5
083 - Eros [idem, de Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh e Wong Kar Wai. Praticamente o mundo inteiro, 04. Visto no Festival do Rio.] 5.5
Cotação obviamente prejudicada pelo episódio horroroso do Soderbergh.
084 - Espelho Mágico [idem, de Manoel de Oliveira. POR, 05. Visto no Festival do Rio.] 3.5
Não sei se é falta de disposição ou boa vontade da minha parte para encarar um cinema que se constrói de modo exacerbadamente contemplativo, de câmera fixa e atores que parecem escravizados a qualquer coisa estranha, ou se trata-se de algo realmente erudito demais pra mim (o que é plenamente possível e eu não veria de forma alguma como um defeito do filme, apenas evidenciaria uma natural falta de sincronia entre a minha pessoa e a pessoa de Oliveira, a começar pela diferença absurda de idades). O fato é que não posso evitar um significativo incômodo nos momentos em que quando em teoria teria-se um diálogo, o que se vê são monólogos exacerbadamente duradouros, declamados por personagens que estão lado a lado, mas fitam o infinito ao dirigirem-se um ao outro. O que se filma, na maior parte do tempo, é uma história de pretensiosa riqueza criativa, mas que francamente soa a mim como uma compilação de um monte de coisas que habitam o universo literário ¿ um papo sobre religião, indagações acerca da virgem Maria, todo esse lance filosófico-religioso, enfim ¿ então não sei até que ponto deixa-se de lado ¿riqueza criativa¿ para sobrar apenas o ¿pretensiosa¿. E acredito que seja óbvio o bastante que não é pelos aspectos técnicos/conceituais que os 130-e-tantos minutos de filme se arrastarão de forma menos vagarosa (a não ser por uma trilha sonora que vez por outra é bem utilizada). O que Espelho Mágico desperta em mim, à essa altura da minha vida (e não me arrisco a rever em menos de 40 anos), bem ao contrário de Um Filme Falado, é nada mais que indiferença.
085 - O Mundo [Shijie, de Jia Zhanke. CHINA, 04. Visto no Festival do Rio.] 8.0
Podendo subir.
086 - Um Mundo Menos Pior [Un mundo menos peor, de Alejandro Agresti. ARG, 05. Visto no Festival do Rio.] 7.0
087 - Os Invisíveis [Les Invisibles, de Thierry Jousse. FRA, 05. Visto no Festival do Rio.] 4.0
088 - Um Peixe Fora D´água [Der Wald vor lauter Bäumen, de Maren Ade. ALE, 03. Visto no Festival do Rio.] 1.5
A menininha de Bem-Vindo À Casa de Bonecas (Todd Solondz, *vira pro lado e vomita*) cresceu e o resultado é esse filme aqui. Em boa verdade, menos um filme e mais um APELO, mas enfim. Daquele estilinho "olhem como eu sofro (e sofro, e sofro, e sofro), tenham pena de mim". Pra quem gosta, ou está meio inseguro quanto ao modo como vem tratanto as pessoas, talvez seja uma boa pedida. Caso haja controle da ira que naturalmente será despertada perante uma protagonista tão retardada, há leves toques de comédia involuntária. A cena final é algo especialmente ridículo.
089 - A Mulher de Gilles [La Femme de Gilles, de Frederic Fontayne. FRA/BEL, 04. Visto no Festival do Rio.] 5.0
090 - Primavera [Ggotpineun bomi omyeon, de Jang-ha Ryu. COR SUL, 04. Visto no Festival do Rio.] 5.0
091 - Dumplings [idem, de Fruit Chan. HONG KONG, 04. Visto no Festival do Rio.] 7.5
Um aborto caseiro de criança com 5 meses, a partir do uso de um catéter (leia-se: o parto prematuro é induzido, sem haver assim danos maiores ao feto), onde litros de sangue são derramados e a mãe é uma menina de 15 anos que grita desesperadamente de dor filmado como se fosse o nascimento de um messias. É admirável o carinho que o diretor nutre pelo material trash que tem em mãos, dando à premissa inverossímel um tratamento de drama real, humano mesmo. O incomum é que o humor surge não dos absurdos do roteiro, como normalemente aconteceria, mas da forma impecavelmente elegante como ele é filmado -- algo tão ou mais absurdo quanto a ação decorrente. Há ainda a construção de uma atmosfera de terror extremamente eficaz (e em volta praticamente que do NADA, diga-se) e nuances bem interessantes como o fato da protagonista que busca a juventude eterna nos bolinhos de feto ser vista em cena a maioria das vezes por meio de reflexos (seja se espelhos, seja do vidro que contém o feto prestes a ser fatiado).
092 - Ele É Um Pai [Chichi Ariki, de Yasujiro Ozu. JAP, 42. Visto no Festival do Rio.] 7.0
Talvez 7.5 (a cópia não tava muito boa etc)
093 - Flor de Equinócio [Higanbana, de Yasujiro Ozu. JAP, 58. Visto no Festival do Rio.] 6.5
Minha impressão de Ozu até o momento é que não há ninguém melhor no cinema para construir metáforas a partir de TRENS. (...) E, meu deus, a chaleira vermelha.
posted by Guga 10:00 PM
094 - 4 [Chetyre, de Ilya Khrzhanovsky. RUS, 04. Visto no Festival do Rio.] 8.0
O que a sinopse informa está nos primeiros vinte minutos de filme. Três jovens, na Rússia atual, se encontram num bar ao acaso e iniciam uma discussão sobre a situação do do país, clonagem, etc. Depois disso há uma guinada absurda em todos os aspectos, e eu realmente não consigo traduzir o que acontece de maneira suficientemente decente a ponto de chegar a dar alguma noção do que é filmado. É bem provavelmente o filme mais bizarro do festival, e certamente onde quer que seja exibido as opiniões serão sempre controversas. O fato é que em muito tempo não via um filme tão perturbador, com imagens/cenas que me deixassem tão transtornado, que despertasse tantas sensações ao mesmo tempo em mim. Muita gente deve mencionar Lynch - tanto pra falar bem quanto pra falar mal -, mas acho que lembra muito mais o Buñuel de Um Cão Andaluz e Anjo Exterminador do que qualquer outra coisa. Deve haver quem veja o filme inteiro como uma metáfora gigante à situação da Rússia hoje (e ele também não é ruim nesse sentido, talvez apenas se torne um tanto pretensioso), mas particularmente prefiro encarar como cinema de sensações que funciona muito bem dentro do seu propósito. Em princípio acho que seria uma obra-prima se fosse um pouco mais curto - ou melhor: conciso.
095 - A Última Transa do Presidente [Geuddae geusaramdeul, de Im Sang Soo. COR SUL, 05. Visto no Festival do Rio.] 7.5
096 - El Aura [idem, de Fabián Bielinsky. ARGm 05. Visto no Festival do Rio.] 5.5
Ou 6.0, dependendo do meu humor no momento. Por enquanto fica 5.5 pelo fato de que eu vi esse filme e não "MEU DEUS, MEU DEUS, PORQUE ME ABANDONASTES?" - depois de pegar 2 ônibus + metrô, diga-se - porque a PORRA dos cinemas São Luiz não me deixaram entrar devido ao filme ter censura 18 anos (AH, VÁ TOMAR NO CU). E eu vi sem problemas o filme do Ming Liang, Batalha do Céu, Eros, enfim, filmes com orgias lunescas e etc. SÃO LUÍZ DE MERDA!
097 - Dias no Campo [Días de campo, de Raúl Ruiz. CHILE, 04. Visto no Festival do Rio.] 6.5
098 - Café Lumière [Kôhî Jikô, de Hou Hsiao-Hsien. JAP, 03. Visto no Festival do Rio.] 6.5
099 - Flores Partidas [Broken Flowers, de Jim Jarmusch. EUA, 05. Visto no Festival do Rio.] 7.5
Sinto que preciso rever. Só pra constar: estava adorando, mas ou eu tive um ataque epilético no fim do filme ou o final é tão abrupto que me deixou desorientado mesmo. Não me dêem ouvidos, a reclamação não procede.
100 - The Wayard Cloud [Tian Bian Yi Duo Yun, de Tsai Ming Liang. TAIWAN, 05. Visto no Festival do Rio.] 5.0
EM BREVE. Palhinha: Eu não acho graça nos números musicais propositalmente cafonas que pontuam a história simplesmente por que sou cahto e/ou não entendi a ironia? Aliás, eles querem ironizar o quê, exatamente? E não é um pouco estranho que sejam praticamente a única ferramenta que minimamente situa o espectador na trama? Ou sou eu o ser insensível que não capta as nuances do que é filmado quando não há diálogos incluídos? E eu tenho mesmo que engolir que o clímax DOENTE diz alguma coisa sobre cinema? (...) Perguntas, perguntas, perguntas.
OUTUBRO:
101 - O Gosto de Arroz no Chá Verde [Ochazuke no aji, de Yasujiro Ozu. JAP, 52. Visto no Festival do Rio.] 7.0
102 - Rumo ao Sul [Vers le sud, de Laurent Canter. FRA, 05. Visto no Festival do Rio] 3.0
103 - Incautos [idem, de Miguel Mardem. ESP, 04. Visto no Festival do Rio] 4.5
104 - 2046 [idem, de Wong Kar Wai. HONG KONG, 05. Visto no Festival do Rio.] 7.5
Podendo subir na revisão; na verdade há picos não raros de 8.5-9.0, mas fiquei com a impressão de que se complica desnecessariamente de um determinado momento em diante. de qualquer forma, kar wai tem um senso estético filho da puta, e me desculpem se eu estiver falando algo irritantemente óbvio, mas é que me impressiona, sério.)
105 - Inocência [Innocence, de Lucile Hadzihalilovic. FRA, 04. Visto no Festival do Rio] 4.0
Medíocre medíocre medíocre, o filme inteiro é o ensaio de algum discurso que nunca vem. Frustrante e com ares de engana-trouxa, realmente é duro de acreditar que haja de fato algo a ser dito.
106 - Além do Azul [The Wild Blue Yonder, de Werner Herzog. EUA, 05. Visto no Festival do Rio.] 8.0 Fascinante falso documentário -- ou a science fiction fantasy, como o próprio filme se diz --, deliciosamente irônico e admiravelmente decido a levar a proposta às últimas consequências. Original, inventivo, uma maravilha até quando os créditos sobem.
107 - Low Profile [Falscher Bekenner, de Christoph Hochheusler. ALE, 05. Visto no Festival do Rio.] 4.5 Obrigado, sr. diretor, por me fazer perder horas preciosas de sono e arriscar a minha vida pegando um ônibus com um único cidadão de jaqueta preta presente, às onze horas da noite (felizmente está tudo bem comigo).
108 - Bullet Boy [idem, de Saul Dibb. UK, 05. Visto no Festival do Rio.] 7.0
Maior e melhor surpresa do festival, esse filme sobre um jovem que acaba de sair da prisão e tentará não voltar para lá -- apesar de as circustâncias dizerem-no o contrário -- melhora a cada cena, culminando num final fantástico e de certa forma até cruel, no melhor dos sentidos, já que dá um susto na consciência do espectador que tentará prever (sem sucesso) os rumos da última cena. É um filme que vai lentamente desconstruindo todos os esteriótipos e fugindo de todas as armadilhas nas quais poderia cair. A atuação do garotinho é excelente, e há uma sequência fascinante que, não fosse a edição meio apressada, poderia ter sido dirigida por Paul Thomas Anderson. Taí um filme que merecia ser descoberto.
109 - Senhor Vingança [Boksuneun naui geot. COR SUL, 02. Visto no Festival do Rio.] N/A
Leves cochilos aqui e ali, não por falta de qualidade do filme, mas por tratar-se da sessão de meia-noite. Não há nota por mera questão d´eu não me sentir à vontade tacando um número aí tendo durmido durante alguns minutos, mas a impressão geral é muito, muito boa.
110 - Era Uma Vez em Tóquio [Tokyo Monogatari, de Yasujiro Ozu. JAP, 53. Visto no Festival do Rio.] 8.5
Não tenho muito o que falar, melhor do Ozu disparado. Filme pra sentir, lembrar, rir, chorar, pensar -- por mais patética que essa frase possa soar. Lindo mesmo. E os trens continuam lá!
111 - Green Chair [idem, de Park Chul-Soo. COR SUL, 04. Visto no Festival do Rio.] 5.5
>> FIM FESTIVAL DO RIO <<
112 - The Longest Yard [idem, de Peter Segal. EUA, 05. Visto em um avião.] 36
113 - Mr. Deeds Goes To Town [idem, de Frank Capra. EUA, 36. Visto em uma cinemateca em Lisboa.] 76
114 - The Exile [idem, de Max Ophuls. EUA, 47. Visto na mesma cinemateca.] 83
115 - O Virgem de 40 Anos [The 40-Year-Old Virgin, de Judd Apatow. EUA, 05. Visto no cinema.] 59-63
116 - /O Guia do Mochileiro das Galáxias/ [The Hitchhiker´s Guide To The Galaxy, de Garth Jennings. EUA, 04. Visto em um avião.] 61 (- /65)
117 - A Noiva-Cadáver [Tim Burton´s Corpse Bride, de Tim Burton. EUA, 05. Visto no cinema.] 58
NOVEMBRO:
118 - O Jardineiro Fiel [The Constant Gardener, de Fernando Meirelles. ING, 05. Visto no cinema.] 73
119 - Tentação [We Don´t Live Here Anymore, de John Curan. EUA, 04. Visto em DVD.] 57
Que me desculpem, mas essa metáfora para o Caminho Livre Para Levantar A Cabeça E Seguir Em Frente com sinais de trânsito já tinha sido utilizada - com muito mais sutileza e inteligência, obviamente - em Gilmore Girls (episódio e temporada a serem confirmados com guilherme alves).
120 - Rosetta [idem, de Jean Pierre e Luc Dardenne. BLG, 99. Visto em DviX.] 75
121 - /O Demônio das Onze Horas/ [Pierrot Le Fou, de Jean Luc Godard. FRA, 65. Visto na TV.] 96 (+/92)
122 - /Alphaville/ [Alphaville, de Jean-Luc Godard. FRA, 65. Visto em VHS.] 90 (+/87)
123 - Marcas da Violência [A History of Violence, de David Cronenberg. EUA, 05. Visto no cinema.] 76
124 - Crash - No Limite [Crash, de Paul Haggis. EUA, 05. Visto no cinema.] 18
Imagine um filme todo construído em cima da lógica daqueles suspenses mais vagabundos, que passam o tempo todo se esforçando para fazer o espectador acreditar em algo, para aos quarenta-e-cinco minutos do segundo tempo sacar do bolso uma reviravolta surpreendente (que fará todo mundo abrir a boca e pensar "oh, mas não era nada daquilo que eu achava que era!"). Imagine esse filme onde a reviravolta surpreendente está no fim de cada cena, ou seja, não é o filme uma grande e única piada de mau-gosto, mas todas as seqüências são uma pequena peça pregada em você. Agora tente imaginar isso tudo num filme sobre racismo, com a lógica em questão sendo usada -- da forma mais simplista e barata possível, obviamente, reduzindo os personagens a peças nesse joguinho (à uma altura onde isso nem importa mais) -- para mostrar a você que "não é bem isso", e que você vive a sua vida com um pensamento errado a respeito das pessoas e de si mesmo. Se você acabou de pensar que aquele sujeito gritando no cartaz do filme pode ser um retrato dos maus-tratos sofridos pela raça negra em pleno século vinte-e-um, não se engane: é pior.
125 - Cinema, Aspirinas e Urubus [idem, de Marcelo Gomes. BRA, 05. Visto no cinema.] 72
126 - Tudo Acontece em Elizabethtown [Elizabethtown, de Cameron Crowe. EUA, 05. Visto no cinema.] 71
Na fábula que é Elizabethtown, Cameron Crowe parece querer dizer que a tristeza e a frustração (oni)presentes em alguns momentos da vida são necessárias para se (re)descobrir uma nova razão para viver. No filme, Drew Baylor (Orlando Bloom, despertando ódio por não despertar coisa alguma), o protagonista, tem seu maior fracasso profissional depois de perder quase um bilhão de dólares e ser demitido. Logo após isso, seu pai, que ele não via há anos por se ocupar demais com a carreira, morre. Drew parte a Elizabethtown para enterrar o pai (e adiar o suicídio), se afundando, pois, em tristeza e frustração. A responsável por mostrar a Drew um novo "caminho" a ser percorrido, na fábula de Crowe, é a personagem de Kirsten Dunst (muito à vontade, muito risonha, muito bem). Não pelo amor que a presença dela despertará nele, mas por sua personagem servir como uma espécie de guia a Drew - Dunst literalmente "desenha" o caminho que ele deve seguir. Esse caminho nada mais é que o passado que o personagem nunca teve, mas que de fato o constrói. E então Drew parte de Elizabethtown a uma jornada de auto-descobrimento, onde perceberá e irá coletando cada peça que falta em si mesmo. Elizabethtown, portanto, simboliza esse lugar onde se mergulha em tristeza e melancolia para logo depois imergir, aprender, seguir em frente (palavras essas que saem da boca de Dunst no diálogo à saída do hotel, mas que remetem ao próprio Crowe escancarando sua vontade de dizer que há, sim, beleza na tristeza). À exceção da atuação de Orlando Bloom (essa muralha de inexpressividade, que compromete inteiramente os primeiros quinze minutos), é um filme redondo, por várias vezes encantador, e perceptivelmente bem pessoal de Crowe - inclusive no uso da trilha sonora, que vem sendo muito comentado até negativamente, mas que acredito ser um dos grandes interesses (do diretor e para o público) em Elizabethtown. À medida que Crowe enche o filme de música, no que talvez consista numa busca por definir cada imagem musicalmente (e, se não for mais nada, essa é uma tentativa válida), ele acentua aqueles momentos em que não há trilha alguma, construindo dessa forma pequenos e belos momentos de "silêncio" em seu filme.
127 - Mundo Cão [Ghost World, de Terry Zwigoff. EUA, 2002. Visto na TV.]
Sou superior a notas (vou rever dia 30 às 22h no telecine cult: aproveitem).
128 - Babilônia 2000 [idem, de Eduardo Coutinho. BRA, 1999. Visto na TV.] 73-78
É normal e compreensível que o primeiro pensamento que venha à cabeça ao fim de Babilônia 2000 é o de que o filme carece da força que há em um Edifício Máster, por exemplo. Que não há aqui o sentimento de obra singular que rondava aquele filme o tempo todo. Obviamente, além de injusta, uma cobrança desse tipo seria reduzir Babilônia 2000 à menor de suas possibilidades. Esquecendo, por exemplo, que há ao menos uma cena magnífica e que diz muito sobre o cinema de Eduardo Coutinho (e eu digo isso tendo visto só dois filmes dele, no entanto sem peso algum consciência). É quando uma das entrevistadas, depois de alguns minutos falando, cai no choro ao lembrar da morte do irmão e diz - penosa, esfregando os olhos, fungando - que "não queria acabar daquele jeito". Nesse momento o espectador sente que o plano vai acabar ali, e de fato há um corte, mas a imagem volta com a mesma mulher (e toda a beleza da cena cabe nessa imperceptível fração de segundos entre uma imagem e outra) - falando o que mais queria falar e sorrindo, claramente satisfeita. Coutinho preza seus personagens (e não podia ser diferente; os personagens aqui são gente em seu estado mais bruto), é generoso com eles (sem aderir à causa), e recusa qualquer tipo de superioridade que poderia supostamente existir (naturalmente, até). E é impossível não abrir um sorriso quando a tela fica preta logo depois de um personagem dizer "corta, corta, acabou!", chamando a equipe para o churrasco.
129 - Quem Bate à Minha Porta? [Who´s That Knocking at My Door?, de Martin Scorsese. EUA, 67. Visto em DVD] 79
130 - Léon, O Profissional [Léon, de Luc Besson. FRA/EUA, 94. Visto na TV.]
131 - A Vida Secreta dos Dentistas [The Screcet Lives of the Dentists, de Alan Rudolph. EUA, 04. Visto na TV] 70
132 - /Ninguém Pode Saber/ [Dare mo shinarai, de Hirokazu Koreeda. JAP, 04. Visto em DivX.] 79 (-/80)
133 - 9 Canções [9 Songs, de Michael Winterbottom. REINO UNIDO, 04. Visto em DVD.] 32
134 - O Fim e o Princípio [idem, de Eduardo Coutinho. BRA, 05. Visto no cinema.] 80
135 - /Léon, O Profissional/ [Léon, de Luc Besson. FRA/EUA, 94. Revisto na TV.] 59
136 - /Noivo Neurótico, Noiva Nervosa/ [Annie Hall, de Woody Allen. EUA, 77. Revisto em DVD.] 86 (+-/não lembro)
137 - /Flores Partidas/ [Broken Flowers, de Jim Jarmusch. EUA, 05. Revisto no cinema.] 75-79 (+/75)
Comentário em breve.
DEZEMBRO:
138 - Harry Potter e o Cálice de Fogo [Harry Potter and the Goblet of Fire, de Mike Newell. EUA, 05. Visto no cinema.] 53
139 - Crimes e Pecados [Crimes and Misdemeanors, de Woody Allen. EUA, 1989. Visto em DVD.] 76
140 - Nossa Música [Notre Musique, de Jean-Luc Godard. FRA, 04. Visto em DVD.] 56
c01 - The Big Shave [idem, de Martis Scorsese. EUA, 67. Visto em DivX.] 65
141 - /Huckabees - A Vida é uma Comédia/ [I ♥ Huckabees, de David O. Russel. EUA, 04. Visto em DVD.] 69-74 (+/67)
142 - Assalto à 13a DP [Assault on Precint 13, de Jean-François Richet. EUA/FRA, 05. Visto em DVD.] 59
143 - "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo* *Mas tinha medo de perguntar" ["Everything you always wanted to know about sex* *But were afraid to ask", de Woody Allen. EUA, 72. Visto em DVD.] 52
144 - Carrie, A Estranha [Carrie, de Brian DePalma. EUA, 76. Visto em DVD.] 73
145 - /Os Excêntricos Tenenbaums/ [The Royal Tenenbaums, de Wes Anderson. EUA, 01. Revisto em DVD.] 62 (+/algo em torno dos 30 ou 40)
146 - Amor à Flor da Pele [Fa yeung nin wa, de Wong Kar Wai. HONG KONG, 00. Visto em DVD.] 64
147 - O Jovem Frankenstein [Young Frankenstein, de Mel Brooks. EUA, 74. Visto em DVD.] 70
148 - Terra dos Mortos [Land of the Dead, de George Romero. EUA, 05. Visto em DVD.] 60
Dennis Hopper fantasiado de George Bush falando "nós não negociamos com terroristas" não é exatamente o que eu chamaria de sutileza, mas o discurso político do filme carrega um pessimismo bem-intencionado que não deixa de ser legal de ver (e é algo com o qual me identifico bastante, então não sou eu quem vai se sentir ofendido por um filme tão desacreditado na raça humana -- deixo para outros essa missão), embora tolo e desavergonhadamente escancarado em alguns momentos. Romero felizmente ainda demonstra genuíno apreço pelas criaturas que filma, o que de alguma forma ameniza um pouco a situação quando a (pois é, triste verdade) crítica que pretende fazer ganha ares constrangedores. E se esquecendo tudo isso temos no filme de zumbis que é entretenimento não muito mais que razoável coadjuvantes sofríveis como a personagem de Asia Argento, ainda há o gordão samoano para a alegria do espectador não muito interessado em geopolítica.
149 - /Guerra dos Mundos/ [War of the Worlds, de Steven Spielberg. EUA, 05. Revisto em DVD.] 77-80 (+/77)
150 - /A Última Noite/ [25th Hour, de Spike Lee. EUA, 03. Revisto na TV.] 93 (3a vez;+/80-e-poucos nas duas)
151 - Bom Dia, Noite [Buongiorno, Notte, de Marco Bellochio. ITA, 03. Visto em DivX.] 68
152 - Permanent Vacation [idem, de Jim Jarmusch. EUA, 80. Visto em DivX.] 65
posted by Guga 3:56 PM
153 - Histórias Proibidas [Storytelling, de Todd Solondz. EUA, 01. Visto na TV.] 51
Solondz divide o filme em dois episódios, o primeiro intitulado "Fiction" e o segundo "Non-Fiction". Não interessa, pelo menos a mim, olhar para esses dois segmentos separados, sendo o primeiro um curta (com meia hora de duração) e o outro um média (de uma hora). Ambos contém tudo aquilo que se espera de um filme do diretor: o olhar ácido para a vida nos subúrbios americanos, num filme sujo/incômodo, quase sempre abordando temas considerados "fortes" (sexualidade, pedofilia, racismo, rejeição etc), dividindo o espectador, que não sabe se ri, chora ou sente repulsa pelo que vê. Não vi Felicidade, mas em Bem-Vindo À Casa de Bonecas me parece que o diretor não vai muito longe dentro dessa lógica própria -- tendo a achar tudo muito bobo e sem sentido. Aqui, no que diz respeito a essa provocação com os (ou, melhor, através dos) personagens não é muito diferente, à exceção de alguns bons momentos (a tiração de sarro com Beleza Americana é ótima, e a sub-trama envolvendo o filho mais novo e a empregada da casa tem momentos idem) não consigo ver graça em quase nada, e nem acho que questões como "humilha ou fala sobre humilhação?", "é um filme imoral ou sobre a imoralidade?" etc. vão nos levar a algum lugar. No entanto, há algo de aproveitável e minimamente interessante dessa vez. No episódio número um, pretensos escritores expõem suas histórias, sempre relatos de experiências próprias, em sala de aula. Os outros alunos e o professor mostram reprovação, acusando os textos de não terem valor literário algum. No número dois, um documentarista filma um adolescente sem perspectivas, criado na estereotipada família americana. Quando exibe o filme, no entanto, a única reação do público é o riso. Solondz pega a literatura, geralmente identificada como "ficção" e o documentário, geralmente identificado como "realidade" (não-ficção) e mostra que em ambos os casos o meio que deveria traduzir a realidade gerou uma outra realidade -- ou seja, gerou ficção. Soa como o diretor explicando um pouco de seu processo de criação, não exatamente se desculpando (o documentarista no final pede desculpas ao garoto, por ter distorcido a sua "imagem real", no que ele responde "você não deveria se preocupar, seu filme é um sucesso", num diálogo que em verdade é travado entre Solondz e sua consciência/ego), mas de alguma forma deixando claro que não possui nenhum tipo de "compromisso com a verdade" quando é acusado de ser cruel e perverso com seus personagens. Não gosto muito da idéia do filme mais justificar (especialmente do modo como é feito aqui, meio que tirando o corpo fora) do que inspirar discussões. De interesse, mesmo assim.
154 - /Amnésia/ [Memento, de Christopher Nolan. EUA, 00. Revisto na TV.] 49 (+-/não lembro [1a vez em ao menos 4 anos])
A trama vai gradativamente se confirmando como a mais trivial das histórias de vingança (homem apaixonado caça assassino/estuprador de mulher amada) até a sequência final, quando, com as peças da narrativa não-cronológica devidamente encaixadas, revelar-se-á um pouco mais complexa. O protagonista que clama por vingança passará a não simplesmente "clamar por vingança", mas sim a fazer propositalmente dessa busca incessante a sua razão de viver -- não devido ao seu estado (um incidente o deixou sem a capacidade de armazenar informações novas a partir daquele ponto específico), mas de forma consciente, num misto de comodidade e desespero, já que em cinco minutos "não se lembrará mesmo". Não haveria filme se a história fosse contada convencionalmente, uma vez que o grande lance do filme é fazer o espectador acreditar em algo que aos poucos passará a não fazer tanto sentido, culminando no ponto em que se descobre o por quê de não fazer sentido -- e esse é justamente o "começo" da estória, quando percebemos que o protagonista faz, de propósito, ele próprio acreditar nas versões que cria. Teoricamente não tenho problemas com isso, acho que a escolha narrativa é válida e cabe bem. No entanto, o filme falho ao explorar o personagem e seu universo; revelando-se, por fim, bem aquém do que poderia ter sido. Guy Pearce compõe uma única expressão e inacreditavelmente permanece nela durante o filme inteiro -- é um "quem sou eu/quem é você/onde estamos/o que é isso?" meio desconfiado, que até funciona no começo, mas esgota-se prontamente em seguida. Talvez nem o próprio Nolan acredite muito nela e venha daí o fato da narração em off sinalizando os momentos em que o personagem acorda e não se lembra de nada ser exaustivamente repetida ao longo do filme -- é uma sucessão interminável de "Onde estou? Quem é esse? O que faço aqui? Etc" totalmente dispensáveis e redundantes. O espectador se depara a maior parte do tempo com outros personagens se aproveitando e manipulando o protagonista devido a sua falta de memória, o que gera algumas associações bacanas, mas toda a perturbação que o problema certamente causa ao personagem de Pearce poderia ser muito melhor explorada -- e, aí sim, causaria o impacto devido no final. Dessa forma, soa como um mero "final surpresa" picareta.
155 - King Kong [idem, de Peter Jackson. EUA, 05. Visto no cinema.] 62-66
156 - O Declínio do Império Americano [Le Déclin de L'empire Américain, de Denys Arcand. CAN, 86. Visto na TV.] 28
157 - /Olhos de Serpente/ [Snake Eyes, de Brian DePalma. EUA, 98. Revisto na TV.] 67-72
158 - A Sombra de Uma Dúvida [Shadow of a doubt, de Alfred Hitchcock. EUA, 43. Visto em DVD.] 78
159 - Entreato [Entre´act, de René Clair. FRA, 24. Visto em DVD.] 71
160 - Cabra Marcado Para Morrer [idem, de Eduardo Coutinho. BRA, 84. Visto na TV.] 90
161 - /Boogie Nights - Prazer Sem Limites/ [Boggie Nightes, de Paul Thomas Anderson. EUA, 98. Revisto na TV.] 88
162 - O Terceiro Tiro [The Trouble With Harry, de Alfred Hitchcock. EUA, 55. Visto em DVD.] 74
posted by Guga 8:07 PM