FILMES 05
legenda:
// = revisão; (+/XX) = nota subiu de XX na revisão; (-/XX) nota caiu de XX na revisão; cXX = curtas
cotação vai de 00 a 100
as atualizacões mais recentes estão lá embaixo
153 - Histórias Proibidas [Storytelling, de Todd Solondz. EUA, 01. Visto na TV.] 51
Solondz divide o filme em dois episódios, o primeiro intitulado "Fiction" e o segundo "Non-Fiction". Não interessa, pelo menos a mim, olhar para esses dois segmentos separados, sendo o primeiro um curta (com meia hora de duração) e o outro um média (de uma hora). Ambos contém tudo aquilo que se espera de um filme do diretor: o olhar ácido para a vida nos subúrbios americanos, num filme sujo/incômodo, quase sempre abordando temas considerados "fortes" (sexualidade, pedofilia, racismo, rejeição etc), dividindo o espectador, que não sabe se ri, chora ou sente repulsa pelo que vê. Não vi Felicidade, mas em Bem-Vindo À Casa de Bonecas me parece que o diretor não vai muito longe dentro dessa lógica própria -- tendo a achar tudo muito bobo e sem sentido. Aqui, no que diz respeito a essa provocação com os (ou, melhor, através dos) personagens não é muito diferente, à exceção de alguns bons momentos (a tiração de sarro com Beleza Americana é ótima, e a sub-trama envolvendo o filho mais novo e a empregada da casa tem momentos idem) não consigo ver graça em quase nada, e nem acho que questões como "humilha ou fala sobre humilhação?", "é um filme imoral ou sobre a imoralidade?" etc. vão nos levar a algum lugar. No entanto, há algo de aproveitável e minimamente interessante dessa vez. No episódio número um, pretensos escritores expõem suas histórias, sempre relatos de experiências próprias, em sala de aula. Os outros alunos e o professor mostram reprovação, acusando os textos de não terem valor literário algum. No número dois, um documentarista filma um adolescente sem perspectivas, criado na estereotipada família americana. Quando exibe o filme, no entanto, a única reação do público é o riso. Solondz pega a literatura, geralmente identificada como "ficção" e o documentário, geralmente identificado como "realidade" (não-ficção) e mostra que em ambos os casos o meio que deveria traduzir a realidade gerou uma outra realidade -- ou seja, gerou ficção. Soa como o diretor explicando um pouco de seu processo de criação, não exatamente se desculpando (o documentarista no final pede desculpas ao garoto, por ter distorcido a sua "imagem real", no que ele responde "você não deveria se preocupar, seu filme é um sucesso", num diálogo que em verdade é travado entre Solondz e sua consciência/ego), mas de alguma forma deixando claro que não possui nenhum tipo de "compromisso com a verdade" quando é acusado de ser cruel e perverso com seus personagens. Não gosto muito da idéia do filme mais justificar (especialmente do modo como é feito aqui, meio que tirando o corpo fora) do que inspirar discussões. De interesse, mesmo assim.
posted by Guga 8:07 PM